Lixo será recolhido na escola

Matéria de ROSA FALCÃO (rosafalcao.pe@dabr.com.br), publicada no Diário de Pernambuco dia 20/09/2014

A partir de novembro Pernambuco terá um projeto piloto de coleta de resíduos eletroeletrônicos (REEE). Serão instalados postos avançados para receber equipamentos da linha verde (computadores desktop e laptops, acessórios de informática, tablets e telefones celulares) em 10 escolas públicas da área metropolitana de Recife. A ideia da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) é cadastrar as cooperativas de catadores para engajá-los à coleta seletiva desses materiais, cuja vida útil varia de 2 a 5 anos. Os resíduos serão enviados para uma empresa que fará a separação e encaminhará os materiais para a logística reversa. A Semas não informou a empresa que será parceira no programa.
O projeto foi apresentado pelo secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Carlos Cavalcanti, no 4º Seminário Internacional de Resíduos Eletroeletrônicos, promovido pelo Porto Digital. Pernambuco produz 4 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, sendo 25,7% de material reciclável, 56,46% de lixo orgânico e 17,34% deveria seguir para o aterro sanitário. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em vigor prevê a responsabilidade compartilhada entre governos, fabricantes, fornecedores e consumidores para fazer a destinação correta do lixo.

Os resíduos eletroeletrônicos são considerados os mais perigosos para a saúde e o meio ambiente. A destinação incorreta poderá causar acidentes, como o do césio-137, em Goiânia, há 27 anos. Os catadores se contaminaram com o material radioativo ao abrir uma cápsula de cloreto de césio-137 (CsCI). Diante dos riscos de manipulação, os catadores têm que ser capacitados para manusear este tipo de resíduo. No país são produzidas 1 milhão de toneladas/ano de resíduos eletrônicos. São 7,2 quilos por pessoa.

A coordenadora do seminário, Joana Sampaio, comenta que as iniciativas de coleta e destinação dos resíduos ainda são incipientes no país. Segundo ela, a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) entregou uma proposta de acordo setorial ao Ministério do Meio Ambiente, que deverá ser fechado no primeiro trimestre de 2015. Ela acha bem vindo o projeto piloto da Semas com as prefeituras pernambucanas para a coleta de resíduos.
Joana cita uma experiência interessante, o projeto de crédito de logística reversa que funciona no Rio de Janeiro com a Bolsa Verde (BVRio). Os catadores se cadastram na bolsa. A cada tonelada de material reciclável coletado, eles apresentam a nota fiscal de venda e recebem um crédito pela comercialização. O preço depende do tipo de resíduo (papel, vidro, papelão, PET, alumínio, etc). As empresas compram esses créditos e o valor é repassado ao catador. Joana diz que a experiência pode ser replicada para o resíduo eletrônico em outros estados.

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